Como cronista, nem sempre me agrada escrever sobre assunto que esteja em todas manchetes ou nos principais jornais, porque julgo inoportuno tecer considerações sobre fatos sobre os quais todos os leitores já têm opinião formada e porque mais um texto colocado à disposição não passa de um abuso da paciência alheia. Além da falta de imaginação de quem escreve, é claro. A menos que se possa dizer mais alguma coisa além do que já foi escrito, como é minha pretensão em relação ao passado caso privado do presidente do Estados Unidos da América e que foi e é momentoso e notório.
Como homem comum, o caso do Presidente com a leviana Srta. Mônica Lewinski (leviana porque saiu espalhando uma aventura que só ela tinha o privilégio, ou seja, o acesso ilícito à bragueta do Presidente mais poderoso do mundo, na época),caso que uma vez descoberto, deveria interessar única e exclusivamente a eles e à Sra.Clinton, cujo envolvimento no caso acontecido eu gostaria de comentar.
Uma infidelidade no peito de uma mulher possui uma reação muito pessoal e nem sempre corresponde ao que era dito por ela antes de ocorrerem os fatos que tipificam a falta. Normalmente, uma mulher, com a permissão que os tempos dão à tratativa mais aberta do assunto, diz, sobre a possibilidade de ser traída, que reagirá desse e daquele modo, além de muitas variações de reação, geralmente contundentes ou cruentas em relação aos envolvidos. Algumas delas, entretanto, no ato da ocorrência real comportam-se segundo o momento de suas vidas, balizado por muitas circunstâncias.
O que ocorreu com a Sra.Clinton e o comportamento sóbrio e aparentemente sereno que ela teve em relação às evidências, deve ter produzido muitas indagações e contradições nas cabeças das mulheres do mundo inteiro, julgando como se estivessem em situação civil e afetiva igual à dela. Além de críticas variadas à sua submissão aos fatos. Mas será mesmo que o que mais pesou para a Sra.Clinton foi a infidelidade em si ou ela pensou na filha de pouco pique e seu padecimento com uma família desfeita?
Ou pensou no amor e na interdependência afetiva do casal e que isso pesou mais que o infortúnio? Ou, então, de forma visionária, será que ela não estava juntando pontos para um dia candidatar-se ao cargo que o marido ocupava, ou similar? Tudo é possível quanto a estas e muito mais possibilidades.
Relativo ao Sr.Clinton, apesar de ter tido o cuidado de evitar ter relações sexuais completas com a Srta.Mônica, ou seja, relações com penetração intravaginal, tudo porque, segundo os autos do processo, não tinha confiança suficiente na parceira eventual da sala oval, esquecendo-se que a posição mais poderosa do mundo gera, também, nos outros, reações. Entre as quais, ambições as mais fortes do mundo, de forma proporcional. E graças à sua posição é que tiraram e tiram proveito os oportunistas. Quanto aos detalhes do que ocorreu dentro das paredes do gabinete e sobre as preferências do casal concupiscente, que por caracterizarem-se em encontros rápidos, provavelmente nem chegavam a tirar suas roupas (daí o título deste texto), bem como a rotulação de desvio sexual que lhes foi dada, julgados por suas supostas práticas, deve-se chamar isso de hipocrisia. Uma vez que, sabe-se, dentro e fora das quatro paredes (ou das paredes ovais, no caso), sabe-se que, na natureza, somente três animais não praticam a oralidade no sexo em suas diversas formas, dentre as quais o beijo voluptuoso é apenas um modesto exemplo. E tais animais são: o elefante, porque a tromba atrapalha, o burro porque, como diz a palavra, é burro; e o homem.... porque é mentiroso. Ou hipócrita, como foi o caso do promotor Kenneth Starr.