terça-feira, 22 de abril de 2008

O macaco explica

O estudo das emoções pela neurociência permite-nos conhecer algumas delas, caracterizadas como básicas. E que existem desde os animais: o medo, a raiva, o desconforto e o prazer. Aliás, são emoções apontadas como responsáveis pela sobrevivência de seus portadores ao longo da evolução do mundo. Basta uma análise da importância do medo para a autodefesa, por exemplo, para entender-se esse fato.
Importante notar-se, também, que à cada emoção básica, existe nos animais uma expressão corporal correspondente e que é uma forma de comunicação do seu estado momentâneo, feita aos seus circunstantes, o que inclui a expressão da face.
Um exemplo claro desta afirmação e para melhor entendimento, é o que constatamos ao observar a expressão facial dos macacos, quando estes têm emoção de tristeza, espanto, alegria ou raiva. E quando, para cada emoção, a face deste animal ”fala” com uma expressão bem especificada, já observaram?
Estuda-se assim uma linguagem corporal, a facial incluída, que permanece também no homem desde a sua passagem pela condição irracional(ou menos racional). E que é muito usada, o mais das vezes sem se perceber, até os dias de hoje. Uma linguagem que quem observa-nos é capaz de entendê-la sem dar-se conta, uma comunicação sub-liminar que tem grande importância nas relações humanas de todo o dia, responsável pelas nossas empatias e simpatias para com os demais e dos circunstantes conosco. Ainda que sem contatos verbais e que muitas vezes parecem ser tão impessoais e involuntárias.
Em época de campanha eleitoral, por exemplo, e de sobe e desce dos candidatos presidenciais nas pesquisas, para entendê-las é possível lançar-se mão dos conhecimentos sobre a comunicação não verbal descrita, entre os quais os da comunicação expressa pela mímica facial inerente as emoções.
Vejamos, então, como se pode explicar as posições nas pesquisas de alguns candidatos, antes mesmo que tivessem começado a divulgação das plataformas. Garotinho, ao seu tempo, talvez, por seu passado de homem de rádio e TV, tenha aprendido a não traduzir uma expressão em sua face daquilo que o entorno lhe oferece; assim, surpresa, espanto e indignação são emoções que obtém dele uma expressão quase amímica. O que produz no espectador e futuro votante – uma frustração, uma vez que o público é ávido pelo componente emocional em quem observa. Já o candidato José Serra, independente de, à época, ser o mais conhecido entre os citados aqui e pelo quê iniciou nas pesquisas em um aquecido segundo lugar, da mesma forma ele privava o público da participação em suas emoções, evidenciando, ainda mais, uma freqüente expressão de humor contrariado; e, talvez, porisso, tenha despencado quase dez pontos, à epoca. E quanto ao candidato Ciro, seria possível relacionar a sua ascensão, em um dado momentomesmo sem que ainda tivesse apresentado ao grande público as suas idéias, à fidelidade com que mostrava a cara e o que sentia, ainda sob o mesmo ponto de vista deste tipo de “fala”. Pois, sorria com mais freqüência que os demais, mostrava uma expressão de indignação quando necessário e quando se espantava, franzia a testa. E o povo se identificou com esta fidelidade emocional em “linguagem não falada”. Mais a Patrícia...