terça-feira, 22 de abril de 2008

Retardo político, carência de líderes

É inegável que o mundo, tudo o que vive nele e a sua inclusão em um universo maior, vive influenciado por ciclos característicos de cada nível, setor ou espécie. Aliás, obra do Criador disso tudo, que escolheu a figura geométrica perfeita do círculo, a significar a alternância com aperfeiçoamento, para exercer a regência universal que nos é próxima ou remota.
Então, é possível observar no reino animal que esta influência de menor a maior sempre existiu com a função biológica de favorecer as espécies formadas por seres cada vez mais perfeitos e melhor capacitados a interagir com seu ambiente, muitas vezes influenciando-o.
Em relação à raça humana, são infinitos os expmplos desta regência em alternância, como os ciclos das doenças que acometem o homem, das estações que o encantam ou o assolam, das plantas que o alimentam etc. Sendo ele melhor dotado pela inteligência racional, o homem tem mostrado que estes e muitos mais ciclos que garantem a vida tem sido suficientes para amadurecer uma evolução da espécie, com um enriquecimento em todos os setores de sua influência, incluindo as organizacionais. Assim, as sociedades humanas evoluiram de tribais a escravagistas, feudais, coloniais, imperiais, ditatoriais e republicanas, amadurecendo junto os direitos humanos e os deveres individuais. E chegando-se à forma mais perfeita de convivência, que é a democracia. Entretanto, a julgar pela observação do mundo, é difícil imaginar que tal é o bastante, até por que todas as demais evoluções permanecem ativas, em todos os mundos e no humano também. Logo, inclusive dentro da democracia, evoluir é mandatório.
A democracia é fruto do amadurecimento pessoal e coletivo do homem e, no sentido amplo, tão somente uma forma de governar com a participação, o mais que se possa, do povo que a elege, zela e desfruta. Democracia é um cultivar precioso que exige cuidados e atenção para apresentar o produto viçoso do vigor da beleza social.
No entanto, a democracia passa a ser um conto político e social triste se permitir a aflição de viver ao cidadão, se permitir o desmando, a corrupção, a incompetência administrativa, o alastrim de todas as formas de misérias humanas e sociais, associadas à ditadura das diferenças. A ponto, muitas vezes, de permitir a uma fração considerável da população que, quando ouve falar em progresso e estabilidade econômica, curte uma viuvez melancólica relativa aos governos de exceção.
O Rio Grande e o Brasil, que evoluiram na república ao longo do século passado desde Castilhos, Borges, Getúlio, como ditador e presidente, visionários, maníacos, ditadura militar e abertura política, o fizeram em ciclos.
No país, os mais recentes foram notáveis entre a predominância de situação e oposição em saudável disseminação geográfica.
Mas a nação não colheu ainda todos os frutos, pois que não amadureceu ainda uma administração política que a colocasse na liderança mínima da América Latina, como era de se esperar diante de seu gigantismo, não possuindo se quer uma doutrina política séria a ser copiada e o mais das vezes valendo-se de orientações de decoreba. A um país onde tudo daria, tudo teria, tudo seria possível se conduzido com elevação, transcedência, seriedade e competência, onde a detenção do poder seria mera conseqüência e não a sua manutenção, uma imediata prioridade.
Para exemplificar, em tempos modernos, no país e em especial no nosso Estado, observa-se com nitidez um flagrante de ciclo em política. Nos anos 50 e 60, Leonel Brizola era sinônimo de esquerda subvertente de determinada ordem social, idéias reformistas, levantes armados etc. Quem diria que um dia o mesmo e astuto político, com as mesmas idéias, teria sido um dia lembrado com esperança por muitos conservadores para desbancar a própria esquerda na administração estadual? Em outro, que antigos políticos do MDB e da Arena, país à fora, já tenham se juntado em tantos palanques? Os discursos permanecem os mesmos, cíclicos, mas não foi acrescentado idéias e soluções administrativas novas, necessárias à evolução obrigatória do processo.
Pois, analisando a proximidade das eleições e os movimentos que se formam em sentido funilar, fica claro o retardo político que nos contrai e imoboliza dentro do comportamento circular, natural e alterno da política brasileira, ao ver que nossos pró-homens não evoluiram em diferenciação administrativa. Novamente teremos trocas de posição no comando das cidades, mas a safra de homens que se apresenta é pobre, alguns pré-fabricados no laboratório do mesmismo e do "de acordismo", outros que pretendem garantir posição à facções, outros portadores de fraca genética política, com discursos orientados a agradar, feitos por mercenários que ensinam o caminho do poder a quem deveria sabê-lo por natureza convincente.
Candidatos que não mostram ou despertam a esperança de promover o necessário avanço a ser dado ao comportamento cíclico universal com elevação.
Em clara impressão de que ainda não veremos a grande nação prometida e cantada. Busque, o Brasil não possui líderes compatíveis com o nosso momento de premência nacional e mundial, que movimentem suas entranhas não só com paixão, muito menos com levantes, mas com soluções marcantes e administração competente e séria dadas aos velhos e bem definidos problemas, nascidas da criatividade das idéias e que privilegiem menos o cetro próprio e mais o homem, que deve ser seu objetivo. E que sejam de conduta exemplar e façam sorrir a um povo empolgado ao dizer, como quem sai de um longo e custoso atoleiro:---Agora vai!